sábado, 18 de fevereiro de 2012

Depois de sessão tumultuada, Câmara de Vereadores de Bom Progresso suspende atividades

Presidente revela que próxima reunião poderá ser a portas fechadas ou até em outro município


Ofensas morais e palavras de baixo calão registradas na sessão ordinária de 6 de fevereiro, a primeira do ano, motivaram o presidente da Câmara de Vereadores de Bom Progresso, João Pedro Ferreira de Campos, a suspender os trabalhos legislativos por um período de dez dias, permanecendo somente o expediente interno.
Segundo o presidente, as causas dos transtornos remontam às denúncias de irregularidades no concurso público realizado em outubro do ano passado e que foi anulado. Outro motivo foi a não aprovação em sua totalidade do projeto 02/2012, enviado pelo Executivo, que criava cerca de 85 cargos emergenciais. Os edis aprovaram a criação de apenas 27 cargos de emergência, priorizando a contratação de professores. No entanto, na última sessão, o mesmo projeto foi reapresentado e os vereadores mantiveram a votação anterior. Essa decisão não agradou a alguns segmentos interessados que tomaram as dependências da Câmara.
Na manhã do dia seguinte, um secretário municipal teria tentado um encontro na Casa Legislativa com o vereador Leodomir Wiebling, autor da denúncia de fraude no concurso. Como o expediente era apenas interno, ele não teria sido recebido pelo edil. Ao deixar as dependências da Câmara, o vereador teria sido agredido pelo secretário com socos no olho e no peito. O agressor estaria, no momento, acompanhado por quatro pessoas ligadas à Administração Municipal. À tarde, Wiebling teria sido ameaçado por outro secretário, em frente à sua residência.
O caso foi parar na Polícia.  A agressão física e as ameaças foram registradas na Delegacia de Polícia de Três Passos, através dos boletins de ocorrência números 420, 421 e 448.
Por decisão do Judiciário da Comarca de Três Passos, os dois secretários envolvidos nos episódios terão que permanecer distantes 200 metros da casa do vereador e familiares, conforme medida cautelar número 075/2120000285/9.
Os fatos geraram pânico e insegurança na comunidade. Estabelecimentos comerciais e bares estão fechando suas portas mais cedo à noite temendo confrontos entre as partes envolvidas.

COMUNIDADE “ENTOCADA”
Em entrevista à Rádio Difusora, na manhã desta terça-feira, 14, o presidente da Câmara de Vereadores, João Pedro Ferreira de Campos, o Pato, disse que encerrou a sessão porque o tumulto estava tomando proporções incontroláveis.  A maioria da plateia, conforme ele que já foi prefeito do município, era formada por candidatos que haviam prestado o concurso e por pessoas ligadas à Administração Municipal. “Eles gritavam muito e se manifestavam com palavrões”, afirmou.  “O Ministério Público apurou que realmente houve fraude no concurso. Por isso ele foi anulado”, explicou o vereador.
Conforme o edil, o tumulto na Câmara e as agressões físicas estão gerando pânico na cidade. “Com medo, a comunidade fica entocada dentro de casa. Até lojas e bares estão fechando mais cedo”, ressalta.
Campos é presidente do PP, partido do atual prefeito Armindo Heinle. Mesmo sendo da mesma sigla, ele garantiu que não está apoiando a Administração Municipal e dificilmente apoiará o candidato que essa facção da sigla indicar ao Executivo.
A próxima  sessão acontecerá dia 27. A Justiça, destacou Pato, vai decidir se o encontro legislativo será a portas fechadas ou com a presença de público, ou ainda, por medidas de segurança e como solução extrema, em outra cidade.

SERVIÇOS ESSENCIAIS COMPROMETIDOS
Já na quarta-feira, 15, o vice-prefeito Amauri de Campo Araújo (PDT) esteve nos estúdios da Difusora para esclarecer os fatos. Ele, assim como o presidente do Legislativo, foi entrevistado por Paulo Farias. Araújo veio acompanhado de Jarbas Heinle, secretário da Fazenda; Cloves de Oliveira, secretário de Saúde; Jaime Scheffer, secretário de Agricultura e vereador licenciado; Ilone Guerreiro Bones, secretária de Educação; e Norimar Schlosser, vereador.
Ao contrário do que Campos disse, Araújo declarou que a cidade não está em pânico. “A comunidade está tranquila e não entocada como afirmou o presidente da Câmara. O comércio e os bares estão funcionando normalmente”.  Lembrou que em função de uma portaria baixada pela Prefeitura, os bares estão fechando às 22 horas nos dias de semana e às 24 horas nos fins de semana. “Tomamos essa decisão porque há gente estranha na cidade e queremos que a comunidade esteja segura”, explicou.
Campos, que esteve presente à sessão polêmica, negou que pessoas ligadas ao Executivo teriam incitando a plateia para tumultuar a reunião.  “Ninguém usou palavras de baixo calão, como declarou o presidente da Câmara”.
O vice-prefeito destacou que cinco empresas apresentaram propostas para realizar o concurso público no ano passado. “Uma ganhou. O vereador Leodomir achou que havia falcatrua, fez investigações, concluiu que as questões foram tiradas da Internet e fez a denúncia ao Ministério Público, que acabou anulando o concurso. Se houve falcatrua, não foi do nosso lado. Aliás, não há como fazer falcatruas em concursos públicos”.  Agora, garantiu, a Prefeitura vai devolver aos candidatos o dinheiro das inscrições.  “Falcatruas existiram sim, mas no concurso lançado pela Administração do Pato. O Tribunal de Contas  apontou irregularidades”.
Com a anulação do concurso e a não aprovação dos 85 cargos emergenciais, Araújo anunciou que os serviços essenciais serão prejudicados. No dia 22 deste mês encerram os contratos emergenciais e a Secretaria de Agricultura, por exemplo, terá apenas um operador de máquinas. O posto veterinário terá que ser fechado por falta de funcionário.
A secretária de Educação salientou que o ano letivo iniciará com poucos professores e funcionários. “Precisamos de 28 para atender as quatro escolas, mas os vereadores só aprovaram a contratação de 12”. Assim, eu e a coordenadora pedagógica iremos lecionar na escola da cidade. Já as três do interior não terão professores.
Para atender à comunidade, a Secretaria de Saúde contará somente com os serviços de uma enfermeira e de uma técnica em enfermagem. O município terá que enfrentar essa situação até a realização de novo concurso.

Fonte: JORNAL ATOS e FATOS
Guia Crissiumal

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